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CARREIRA

Você usa a sua empresa?
Leila Navarro




Por Leila Navarro


Gostei de ouvir o discurso de um empresário certa vez para centenas de funcionários que lotavam um auditório: “Quero mais é que vocês explorem os recursos e as ferramentas desta empresa para o seu próprio crescimento. Usem tudo isso para vencer!”.

O que achei interessante nesse discurso é que propõe uma inversão na lógica da maioria dos brasileiros, que se considera explorada pelo patrão. Deixando de lado discussões sociológicas e trabalhistas, vamos ser francos: a idéia de que o trabalhador é uma eterna vítima de empresários gananciosos é como que parte do inconsciente coletivo da Nação.

Dizem os nossos historiadores e intelectuais que esse conceito tem profundas raízes culturais e vem do tempo do Brasil-colônia, dos senhores de escravos e coronéis. Mas nem vou me aprofundar nessa questão, que não é o objetivo do artigo. A idéia que desejo desenvolver é: por que não virar esse jogo? E se, em vez de se considerar usado, o empregado comprar a idéia de que pode usar a empresa?

Se você olhar bem, verá que a empresa oferece uma série de recursos para o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Um dos mais óbvios é o treinamento. As organizações têm investido cada vez mais em capacitação e reciclagem dos funcionários, pois o mercado exige profissionais sempre atualizados com novas tecnologias e processos.

Agora me diga: você tem participado dessas atividades? Se participa, aproveita ao máximo? Reconhece o quanto elas acrescentam ao seu capital profissional? Será que você faria esses treinamentos por conta própria se não estivesse onde está hoje?

Ainda na linha das facilidades que as organizações oferecem e nem todo mundo aproveita – isso para não dizer quando simplesmente ignora – estão os benefícios. Muitas empresas ajudam o funcionário a estudar, financiar a compra de um bem, fazer uma viagem com a família ou realizar um tratamento específico de saúde. Mas será que você conhece os benefícios da sua? Sabe o que ela é capaz de fazer por sua qualidade de vida?

Os relacionamentos no ambiente de trabalho também são um recurso fantástico. Se você tiver a paciência de contar, descobrirá que se relaciona com dezenas, talvez centenas de profissionais no dia-a-dia. São colegas de departamento, funcionários de outros setores, clientes, fornecedores, parceiros. Então me diga: você tem usufruído desses contatos para aprender coisas novas, trocar informações ou ampliar sua visão de mercado? Reconhece o quanto o network é valioso para a sua carreira? Procura aprender com a diversidade de pessoas, opiniões e vivências que o cercam? Procura desenvolver suas habilidades interpessoais no trato com toda essa gente?

Considere ainda as oportunidades de carreira que sua empresa oferece. Já sei: você está desencantado com isso, pois há tempos espera por uma promoção e sua chefia “não está nem aí”. Ocorre que não me refiro apenas às oportunidades de carreira vertical, do tipo que se faz conquistando um cargo acima do seu, e sim as que existem em outros setores da empresa. Você pode fazer carreira na horizontal também, mudando de departamento, de gerência, de cidade. Por que não? As empresas inclusive incentivam esse tipo de mobilidade, que proporciona aos funcionários a visão integrada do negócio, muito valorizada pela gestão moderna. Sendo assim, em vez de olhar só para cima, olhe também para os lados e verá muito mais oportunidades de carreira.

Percebe como não faltam maneiras de usar a empresa para o seu crescimento pessoal e profissional? Se não percebe, é porque você realmente acredita ser usado – e, neste caso, passa batido por todas as possibilidades que citei. Enquanto a crença de que é explorado persistir em sua mente, você só será capaz de enxergar situações que a confirmam. Agora, experimente mudar isso: passe a afirmar para si mesmo que você pode usar os recursos de sua empresa para desenvolver-se e melhorar de vida. Sustente essa idéia e em pouco tempo começará a ver oportunidades fantásticas, tenho certeza.


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