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TECNOLOGIA

A luta mundial contra a fraude na Internet
Ethevaldo Siqueira


Quase a metade de tudo que circula na internet é lixo. Trocando em miúdos: no Brasil e no mundo, os usuários da internet estão sendo inundados por uma onda de spams, de vírus, de pornografia, de pedofilia, de propaganda nazista, de roubo de dados, de comercialização de produtos pirateados, de medicamentos falsos, de propostas mentirosas, de endereços e remetentes apócrifos e oferecimentos semelhantes. Como acabar com os abusos e a fraude na internet?

Para que possamos utilizar em paz e com segurança a parte boa da rede mundial, temos que enfrentar os responsáveis pelo lixo. A luta não é fácil nem vai durar pouco tempo. E, para obter algum resultado, tem de ser de toda a sociedade, aí incluídos o cidadão, a indústria e o governo.

Uma boa parte da ação corretiva depende de cada usuário. Você, leitor, pode ajudar nesse combate à fraude, de diversas formas. Eis, a seguir, alguns conselhos práticos nesse sentido:

Proteja seu computador.
Invista em recursos de segurança contra vírus e spams. Vale a pena.

Rejeite o anonimato.
Não abra nenhuma mensagem suspeita, sem identidade, com endereço falso ou assunto malicioso. Delete esses e-mails sem pestanejar. E o maior castigo: não compre nada de sites anônimos ou apócrifos.

Não pague antes. Desconfie de todas as ofertas que lhe pedem pagamento antecipado.

Rejeite ofertas milagrosas.
Não se iluda com propostas mirabolantes, em especial, de produtos pirateados. Se decidir comprar por mero impulso, saiba que vai perder dinheiro e ainda vai alimentar a corrupção.

Não compre remédios. Não se entusiasme com ofertas de medicamentos, genéricos ou não, sem receita médica, sem as exigências legais, apenas porque os preços lhe parecem tentadores. Muitos desses remédios são falsos. Você porá em risco sua saúde e a de seus familiares. Não acredite nas milhares de propostas de aumento do tamanho de qualquer órgão de seu corpo.

Não tema ameaças. Não leve a sério e-mails com avisos de cobranças ou advertências ameaçadoras para pagamento de débitos fictícios ou para fazer a limpeza de seu nome em órgãos de proteção do crédito (como Serasa, Serviço de Proteção ao Crédito, Receita Federal ou outros).

Esses órgãos não se comunicam via e-mail com ninguém.
Jamais forneça seus dados de CPF, RG, endereço e telefone em resposta a esses malandros. É exatamente isso que eles buscam.

Nunca informe sua senha.
Mais ainda: não forneça seus dados pessoais para nenhum suposto ‘recadastramento’ e, jamais, revele a senha de sua conta bancária. Só forneça seus dados pessoais mais detalhados a sites conhecidos, com tradição, nome e credibilidade e, de preferência, em ambientes seguros.

Nada de correntes.
Não seja imaturo nem ingênuo: não entre em correntes da felicidade.

Não estimule a ação de malandros anônimos que lhe fazem mil ofertas tentadoras, sempre com pedido de depósito antecipado, para a compra de CDs com 500 obras literárias, cursos de oratória, ou de violão, manuais de boas maneiras ou conquistas amorosas.

Outra parcela da ação corretiva cabe à indústria, produzindo melhores softwares de proteção, tais como os firewalls, antivírus e anti-spams.

Logins falsos
- Nessa luta contra a fraude eletrônica, cabe ao governo adequar a legislação, fiscalizar e punir com o maior rigor. É preciso acabar com os remetentes e logins falsos, uma das formas mais freqüentes de se enganar o destinatário. Enquanto não dispusermos de softwares capazes de filtrar com eficácia os spams, a única forma de combatê-los é deletar pura e simplesmente a mensagem intrusa, sem sequer abri-la. Assim tenho feito.

Crime e castigo
- Nos Estados Unidos, país campeão mundial de spams, uma nova lei está sendo aplicada no combate aos fraudadores. Em agosto, foram presas mais de 300 pessoas, acusadas de enviar milhares de e-mails com propostas enganosas, furto de identidade e tentativas de estelionato na internet, segundo noticiou o jornal The New York Times. Os culpados ficarão na prisão até por cinco anos.

Enquanto não havia risco de punição
- desde a aprovação da lei até agora - o percentual de spams na internet norte-americana cresceu de 5 8% para 65%, segundo a empresa Symantec. Em muitos casos, juntamente com os spams, são enviados anexos com vírus que causam enorme prejuízo aos usuários da internet em todo o mundo.

Mesmo com toda a dificuldade atual em localizar e aplicar a punição aos chamados ‘spammers’, é possível aprimorar os meios e identificá-los com maior rigor. O que todos os usuários deveriam fazer é rejeitar sistematicamente as propostas de negócios suspeitos e recusar qualquer e-mail suspeito, com falso remetente ou assunto mentiroso. Os fraudadores da web devem ser, sim, reprimidos com o maior rigor.

Embora seja mundial, o problema é muito mais grave nos Estados Unidos, no Brasil, na Rússia e na Polônia, como demonstra uma pesquisa recente feita por empresas especializadas, tais como a Sophos, fornecedora de soluções corporativas antivírus e anti-spam. Um desses estudos mostra que os spammers são sempre mais ousados e não temem a punição, até que ela aconteça. A polícia polonesa, por exemplo, prendeu recentemente uma gangue de mais de uma centena de hackers que vendiam música pirateada e filmes na web.

Ethevaldo Siqueira
é escritor, consultor e jornalista especializado em novas tecnologias, trabalhando atualmente como colunista do jornal O Estado de S. Paulo, para o qual escreve desde 1967; é colaborador especial da Revista Veja e comentarista da Rádio CBN, desde 2006, com uma coluna diária chamada Mundo Digital. Cobre esses setores há 40 anos, entrevistando cientistas, participando de congressos e visitando exposições, laboratórios e universidades no Brasil e no mundo.


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